sexta-feira, 29 de junho de 2007

Duas vozes

Em plena madrugada, duas vozes
Vão conversando pela rua afora:
São dois homens e, neles, me comove
Irem, de leve, próximos da hora

Do trabalho, alinhavando sonhos
A viver, no dia que se inscreve
Em luz suave, posto que amanhece,
Sonhos táteis como frutos, como

A sólida pedra onde se eleve
A casa, seio onde repouse
Um rosto o seu cansaço, duas vozes

Confidentes e amigas se entrelaçam
Na cálida manhã, depois se perdem
No silêncio cantado pelos pássaros.

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