quinta-feira, 14 de junho de 2007

Elegia para meu pai

I

Caminhas na direção de um mundo insólito,
Anunciado apenas pelos sinos.

Transpareces como o espelho
De sete faces, que me reflete
E me inquieta de eternidades.

Agora que te vejo frágil como um lírio,
Te identifico.

II

Eis o momento maior
Da tua vida:
Tua hora
se anuncia.

Como virá
Esta senhora,
Esfinge ou bruxa?
Louca de amor
Ou lívida e fria?

Só tu terás a resposta.
A chave. A porta.

III

Dormirás no íntimo da terra,
Profunda raiz de um mundo incompreensível.
Se de tudo fica um pouco, como disse o poeta,
O que ficará das tuas mãos abertas?

IV

Já não te escuto a palavra quente,
O grito da garganta apaixonada.
Distendido arco.
De tua voz, do teu lábio ardente
Restou esse legado de silêncios
Modulando o cântico dos pássaros.

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