terça-feira, 12 de junho de 2007

Fuga

Um dia irei embora
Para longe daqui,
Para além do horizonte
De uma selva de silêncio.
Partirei sem levar nada
Na concha das mãos,
Não levarei teu sorriso
Que amanheceu a noite
Em que brilhavam estrelas
No fundo do meu coração.
Irei como um homem nu,
Um homem morto,
E o morto sempre está nu
Dentro e fora do corpo.

Desnudarei meu corpo
Da herança de beijos
Que tua boca deixou,
Desnudarei a alma
Vestidas nas cartilagens
Severas da tua imagem.
Assim embrenharei
No país do silêncio
Para que o tempo venha
E roa meu riso, meus dentes.

Um dia irei embora
Para bem longe daqui
Para bem longe de ti
Para bem perto de mim.

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