Um dia irei embora
Para longe daqui,
Para além do horizonte
De uma selva de silêncio.
Partirei sem levar nada
Na concha das mãos,
Não levarei teu sorriso
Que amanheceu a noite
Em que brilhavam estrelas
No fundo do meu coração.
Irei como um homem nu,
Um homem morto,
E o morto sempre está nu
Dentro e fora do corpo.
Desnudarei meu corpo
Da herança de beijos
Que tua boca deixou,
Desnudarei a alma
Vestidas nas cartilagens
Severas da tua imagem.
Assim embrenharei
No país do silêncio
Para que o tempo venha
E roa meu riso, meus dentes.
Um dia irei embora
Para bem longe daqui
Para bem longe de ti
Para bem perto de mim.
terça-feira, 12 de junho de 2007
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