segunda-feira, 25 de junho de 2007

Inverno paulistano

Um céu encardido
De césio e de estrôncio
Escarra nos homens.

Chuvas sulfúreas
E ácidas desabam
Em suas cabeças.

Nasce, tecida
De arame farpado
Em torno da vida,

A escura manhã
De espesso alcatrão,
A escorrer, feroz,

No chão putrefato
Dos mortos de ontem
Que agora se erguem

Dos lençóis manchados
De gosma e salsugem
Das noites insones.

Nenhum comentário: