A velha senhora está sentada,
Na sala, junto à TV:
Assiste à novela, cochila,
Abre os olhos, boceja.
De repente, cambaleia,
Estremece, olha em torno,
E tenta assim disfarçar
O fardo da sua velhice.
Súbito, invade a sala
Um som de violoncelo,
(Vem da TV), enquanto o vento
Despenteia-lhe o cabelo.
Aí, ela esfrega os olhos:
Vê as imagens no vídeo,
Ou as sombras que emergem
Do fundo da memória?
Noventa anos, ou quase,
Nos ombros, é um tremendo peso,
Então ela adormece de vez
Envergada pela osteoporose.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
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