segunda-feira, 25 de junho de 2007

A matéria do sonho

Abre-te, senha, Sésamo, do sonho,
Resgata-me um perfil de cacaueiros,
A flora desse trevo derradeiro,
Quatro folhas na palha em que me ponho.

Eu quero atravessar os teus umbrais
De palavras abertas como chagas
E o prazer de fruí-las mais amargas
Como quem parte para nunca mais.

Protegidos nos tufos da beleza,
Nos teus lábios ocultos, eu me ponho
A procurar o ninho das surpresas
Onde repousa a pétala do sonho.

A tua longa véspera cintila
Nos teus olhos de pássaro ferido
E a tua voz é pura e cristalina
Como beijo na concha dos ouvidos.

No ventre do teu sonho estamos nus,
E vejo teu segredo de menina,
Relâmpago na treva, tu sorris,
Teu sorriso no escuro me ilumina.

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