terça-feira, 12 de junho de 2007

A metade

Cabeça de Grego,
Corpo de Troiano,
Mãos de ninguém,
Queixo de quem?
Braços de alguém
Morto em naufrágio
De grito e angústia.

Esta é a forma
Em que sempre me vejo:
A revolta de ser
Eternamente o mesmo.

A mão que não leva
Nenhuma lanterna
Para que o olho veja
O avesso das coisas
Que não têm fronteiras,
Ou às vezes o sorriso
Para a fuga do tédio
Que o ódio estilhaça
Na frente do espelho.

Eis a maneira
Em que sempre me vejo.
Há a outra metade
Mas não poso dizê-la.

Não sei se é anjo.
Não sei se é demônio.

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