domingo, 24 de junho de 2007

Mulher

Mulher, de face
Múltipla, renascida
Em campo cirúrgico
De brancura.

Face múltipla: de frente,
A ingênua adolescente
Que, súbito, amadurece,
Quando vista de perfil.

Mulher esculpida a talhe
De lâmina acesa na carne,
Onde o escultor de alvas vestes
Em sonho anestésico arde:

O sonho das formas puras
Que os espíritos contemplam
Somente se amarem, pois
O Belo é sua procura.

Mulher de nariz feliz
Feito de toque sutil,
Como ficou surpreendente
Teu recente supercílio.

Teus seios se levantaram
Como dunas nas areias,
Revelando ao sol nascente
O que na sombra vivia.

Teus lábios, antes tão finos,
Tornaram-se-me carnudos,
Abriram-me o apetite,
Tomo-os nos meus, e os mordo.

Ai, que delgada cintura,
Manejada a bisturi,
Ai panturrilhas e glúteos,
Todos, altivos, de pé.

Necessito os teus ardis,
Eu preciso de ilusões,
Quem não se enfeita hoje em dia
Almoça o osso dos cães.

Embriaga-me em perfume,
Ofusca-me na tua cor,
Para completar, me engana,
Me chama de ‘teu amor’.

Nenhum comentário: