Mulher, de face
Múltipla, renascida
Em campo cirúrgico
De brancura.
Face múltipla: de frente,
A ingênua adolescente
Que, súbito, amadurece,
Quando vista de perfil.
Mulher esculpida a talhe
De lâmina acesa na carne,
Onde o escultor de alvas vestes
Em sonho anestésico arde:
O sonho das formas puras
Que os espíritos contemplam
Somente se amarem, pois
O Belo é sua procura.
Mulher de nariz feliz
Feito de toque sutil,
Como ficou surpreendente
Teu recente supercílio.
Teus seios se levantaram
Como dunas nas areias,
Revelando ao sol nascente
O que na sombra vivia.
Teus lábios, antes tão finos,
Tornaram-se-me carnudos,
Abriram-me o apetite,
Tomo-os nos meus, e os mordo.
Ai, que delgada cintura,
Manejada a bisturi,
Ai panturrilhas e glúteos,
Todos, altivos, de pé.
Necessito os teus ardis,
Eu preciso de ilusões,
Quem não se enfeita hoje em dia
Almoça o osso dos cães.
Embriaga-me em perfume,
Ofusca-me na tua cor,
Para completar, me engana,
Me chama de ‘teu amor’.
domingo, 24 de junho de 2007
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