As águas correntes
Do espelho
Consigo levaram
As imagens inúmeras
E sucessivas
Do meu rosto.
E o meu rosto,
Viajor compulsório,
Fiel ao roteiro
Previsto
Pelos Deuses,
Tão lentamente
Descia
Nas águas revoltas,
Que nem me dei conta
Da estranha viagem.
Porém, certo dia,
Estilhaçaram-se
As águas selvagens
Do espelho,
E, cheio de mágoa,
Catei os pedaços
Do meu rosto,
Colei os cacos
Velhos e gastos.
Neles eu via,
Sob muitos ângulos,
Com olhos perplexos,
Minhas lágrimas nuas,
Nuas como a verdade
Caída no poço
De uma gota d'água
E jazendo no fundo
Das minhas pupilas.
domingo, 24 de junho de 2007
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