Olhei dentro dos espelhos,
Mergulhei fundo nos lagos,
Contemplei tuas pupilas,
Mirei dentro dos teus olhos
Como um campo de papoulas.
E vi as águas revoltas,
Os mares tempestuosos,
No céu escuro as gaivotas
Soltavam gritos agudos.
As nuvens no parco dia,
Enlouqueciam os sismógrafos
O vento arrastava os barcos
Para o fundo dos abismos.
Eram teus olhos dizendo
De adeuses e despedidas.
Por isso ceguei teus olhos,
Furei as tuas pupilas,
Enfiei finas agulhas
Nas tuas pobres meninas,
E dessas duas feridas
Uma brancura de neve
Invadiu a tua vida.
domingo, 24 de junho de 2007
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