No meio do mundo,
No meio da vida,
Um homem luta
Com suas paredes.
Bate-se em vão,
Qual pássaro cego,
E seus gestos se quebram
No fundo da noite,
Da noite profunda.
E, grave, cai
Sobre seus joelhos,
Procura através
De suas janelas,
De suas passagens
Sangrentas, secretas,
Buscar o apoio
Frágil e evanescente,
Buscar consistência
No cerne do vácuo
Que o sustenta.
Porém tateia
Seu rosto, seu peito,
E sente em si mesmo
Seu próprio bloqueio.
Descobre que o homem
É uma casa fechada
A ferros e chaves.
Como abrir as portas,
Gementes janelas,
Porões, clarabóias,
Para entrar a luz
Que ao mundo revele
Seus fundos vazios.
Como abrir o peito
E dele arrancar,
Manchado de sangue,
Um resto de riso
Na carne em pedaços?
Vencendo a fraqueza
Do seu próprio braço?
O silêncio responde:
-Quem cala consente.
E, por luas e luas,
A noite se cala
Como um caracol,
Contemplando aquele
Que tenta romper a
A dura couraça
Que o prende invisível.
terça-feira, 12 de junho de 2007
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