domingo, 24 de junho de 2007

Persuasão

Admito que os teus lábios
Têm poder de convencimento,
Quando usas o argumento
Irrefutável do impacto,

Do grito e também da fúria
De beber teu próprio beijo
Diante da fruta madura
Para gozo do teu desejo.

Reconheço, em tua boca,
A palavra que me enleia,
Quando diz a coisa louca
De se achar sempre cheia

De apetites e fomes
E de carências estranhas,
Do sal da terra que amanhas
No corpo viril do teu homem.

E que promessas, que mundo
De nudez em carne e osso
Quando vais ao mais profundo
À procura do caroço.

Quando, no último ato,
Entre lágrimas e risos,
Me levas estupefato
Às portas do paraíso.

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