Nas areias da Bahia
Onde Deus e o Diabo,
Onde a boca do Sertão
Entreabrindo seus lábios,
Onde a garganta mais funda,
O dente mais afiado,
Desfiladeiros e cañyons,
Entre rochedos mais altos,
Uma língua de água pura,
Um filete iluminado,
Escorregando entre pedras,
Pátria de ásperos cactos,
Arrastando-se, serpente,
Pele e osso, de tão magro,
A principio adolescente,
Medroso, falando baixo,
Depois, bem mais orgulhoso,
Bem mais forte que riacho,
Agora dentro da mata,
Atravessando outros pastos,
Não mais lírico soprano,
Porém tenor, rouco e grave,
Falando grosso, adiante,
Mais adiante, zangado,
Para trás deixa a poeira
Que leves ventos levaram,
(Ai que saudades da areia
Pelas estradas de barro)
Eis que chega ao Cachoeira
Onde um homem solitário
Medita no seu destino
De se perder no mar alto,
Aqui onde é tanta a cheia
Arrebentando-lhe as margens,
(Nestas terras cacaueiras
As chuvas são mais selvagens),
Que ele, o mais transparente,
Fica todo enferrujado,
Como sangue que escorresse
Na terra que o fez Salgado.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
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