I
A poesia
É relâmpago azul
Em céu de tempestade.
Poeta,
Agarra o relâmpago,
Antes que se apague!
II
Seja teu verso claro como espelho,
Iluminado pelo sol reflexo:
Nele amanheça
O dia eterno de luz silenciosa
E pedras floresçam
Nas sombras imóveis.
III
Fazer, de tudo, a canção:
Dessa trama, dessa teia,
Em que súbito desperto
E me vejo em terra alheia,
E me dirijo ao deserto
Em busca de um grão de areia
Para que a vida se converta
Com força de lua cheia
Pois a pura poesia
É como ponte na aldeia
Saltando fossos, castelos,
Catapultando as ameias,
Derrubando as altas torres
Onde se escondem cadeias,
-A poesia é tão forte
E não há quem nela creia –
O poema não tem logro,
O poema não tem peia,
É pura gota de sangue
Fluindo dentro da veia.
sábado, 23 de junho de 2007
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