Não me importa, senhora, em vosso olhar,
O reflexo de vinho traiçoeiro,
Com que dissimulais, tão devagar,
O vosso amor volúvel e aventureiro.
O vosso amor não se entrega inteiro,
É corça oblíqua sempre a se esquivar
Do caçador que, à caça do seu par,
Confessa-se, ele sim, prisioneiro.
Não me importa, senhora, essa mentira,
Se vosso falso olhar dissimulara
Que só louvor o vosso amor implora,
Pois existe que ame e quem prefira
Dilacerar a máscara da cara
E ser aquele que não ri nem chora.
sexta-feira, 29 de junho de 2007
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