sábado, 23 de junho de 2007

Soneto do corpo inabordável

O corpo se abandona, entrecortado
De penínsulas, baías, precipícios,
Entrega-se aos abismos do mar alto
Que esponsalício se curva ante as falésias.

Quantas Ilhas Aleutas, Ilhas Virgens,
Continentes a serem possuídos,
Pelo náufrago que, salvo de si mesmo,
O mar atira às praias inacessíveis.

Inabordável aos pássaros efêmeros
Do verão febril, fende-se o corpo,
Ao vôo quase rasante das gaivotas.

Enquanto isso, entre rochedo e duna,
Perplexo de surpresas geografias,
Mordo as duras areias da paixão.

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