O sapato, entre chapéus de palha,
Noctâmbulo, soluça à luz das velas,
(São luzes de néon) entre sandálias
Que sonham desfilar em passarelas.
Range a sola macia quando calha
Ao pé abotoar-se com fivelas,
E o sapato, em decúbito, agasalha,
Em seu ventre, as palmas amarelas
Do pé, que não mais corre nem pula,
(Perdeu a liberdade do pivete
Que vagava na praia, entre sereias)
E agora, limpíssimo de areias,
Segue preso, sem dó, pelo gasnete,
Com o elegante cadarço que o estrangula.
domingo, 10 de junho de 2007
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