sexta-feira, 29 de junho de 2007

Soneto dos cinqüent'anos.

Nos cinqüent'anos, sim, da minha vida,
Eu me encontrei sozinho, prisioneiro,
De grades não, que a humana liberdade
Não se restringe a indeciso vôo

De pássaro ferido ( e que sabemos
Dos minúsculos olhos que na sombra
Cintilam?), nem sequer seriam algemas
Constringindo os músculos do pulso

Quando os dedos, metálicos, se crispam
Em mistério de culpas e presságios,
Mas dos gritos terríveis que trazemos

Através da garganta estrangulada,
Labirinto e jardim onde fenecem
As pétalas da rosa irrevogável.

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