domingo, 10 de junho de 2007

Um soneto ao cair da tarde

O dia exalara seu último suspiro,
O sol ficara rubro, prenhe de azinhavre.
Era outubro: a luz da primavera
Acendia o farol do tempo intacto.

Era ocre a luz atroz, cruel no seu mistério
De morrer entre sombras fugidias,
Assustados galopes de potrancas
E cavalos selvagens no crepúsculo.

Era o poente, tecido pelas asas,
Em vôo, de andorinhas e gaivotas
Jubilosas e de vozes escarninhas.

Depois foi o silêncio sobre as águas
E areias de rastros apagados
Pelo vento da noite sem memória.

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