sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto XV

Como prova de amor ela vem nua
E, temerosa corça, não se encolhe,
E abre em mim o mais profundo veio,
A seiva que poreja do meu caule.

Nuvens desabam em plena primavera
E como prova de amor ela se entrega
Ao masculino espinho latejante
Aceso como estrela abandonada.

Desnuda amante, toca esse coágulo,
Cogumelo nos lábios do afogado,
As mãos vazias, o peito semeado

De punhais e facas, de navalhas.
Ela vem nua como prova de amor
E canta no meu campo de batalhas.

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