sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto VIII

Teus seios pensativos, Mariana,
Enfeitiçam estrelas solitárias,
Espantam o dia e sua espuma branca
Assustando a calmaria de outros mares.

Substância nascida de amor e morte,
Sorrir é a enseada que me entrega
Aos abutres que vierem, alta noite,
Estender-se em volta à tua alma.

E bebo os teus abismos inventados
Antes que alegria venha em sua fonte
Como o grito que arranco de mim mesmo,

Pois dentro do teu ventre mora o medo
E até que o amor mova a lei do cosmo
Gotejam dor meus olhos de rochedo.

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