sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto XIV

II

Cantemos a canção dentro da tarde,
Havida como núcleo do inviável,
Travestida de íntimos disfarces,
Nesta líquida cidade como aquário.

Porto dos séculos! Como eu quisera
Revisitar marulho e maresia,
Sentir na face a tua atmosfera
ensolarada e plena de carícia.

Entanto me perdi num corredor
De altos muros e estreita rua,
Cheio de musgos e de grãos de areia.

E à margem da vida, doce fruto,
Plataforma lançada sobre o tempo,
Encontro-me em estado de poesia.

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