Como aranha fiando a sua teia
Num filete da negra anatomia,
No espaço que nega um alicerce,
O tempo tecemos, (ó templo
Dos demônios!) e vestimos
A mais severa trama e absurda,
Envoltos pelos dias, pelas asas
Dos sábados, pelo ventre do abismo,
E, presas dessa garra que se eriça,
Anêmonas e búzios, flutuamos
No íntimo veneno, até que os diabos
Se desesperem no clamor da hora.
Deitamo-nos, depois, dentro da terra
E negamo-nos, carniça, aos urubus.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
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