sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto IX

É tempo de salsugem e ventania,
Vejo na luz a vibração de escamas,
Cheiro de peixe e sua carne branca
Presentes nos mercados e nas ruas.

Cintila o mar a sua pele fria,
Arco-iris de águas infinitas,
E ouvem-se no ar canções malditas,
Cantadas por sereias todas nuas.

O látego de sal na minha face
Golpeia as espumas fervilhantes
E arrebenta as portas da cidade.

E adaga transparente, o claro dia
Fere-me de azul e me embriaga
De cheiro de maré e maresia.

Nenhum comentário: