Eu te contemplo, sim, eu te contemplo
Mergulhado no fundo desse espelho,
Nesta pedra inimiga, fero templo,
Onde bóiam os teus olhos vermelhos.
E vejo flutuando os teus cabelos
Como raízes crescendo á superfície,
Desafiando o tempo e o precipício
Das águas que te prendem sem apelo.
És o afogado, o só, o distraído,
Que de tanto velar seu próprio rosto,
Esqueceu-se de si, ficou perdido,
Num dédalo de sonhos, como o velho
Que o menino carrega, sotoposto,
Sepultado no fosso desse espelho.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
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