sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto VII

Esse filho crescendo para a vida,
Como pomo pequeno e cultivado,
Amanhã será fruto sazonado
Amenizando fomes doloridas.

Amanhã erguerá o punho cerrado
Contra a face da noite proibida
Pois saberá da intima ferida
Doendo no seu peito magoado.

Úmida semente, grão de milho
Lançado em sulco dessa terra intensa,
Prenúncio de searas, esse filho.

Um dia serei pedra sobre as vigas
Do tempo, mas, no filho, permanência,
Lançando ao vento rútilas espigas.

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