sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto I

A noite cai como um constrangimento
Sobre a fúria das cores amarelas,
A noite carregada pelo vento,
Perseguida por tímidas estrelas.

Ei-la, a hora da íntima procela,
Ei-la, a hora do íntimo lamento,
Derruído mastro, rota vela,
Morte, naufrágio, esquecimento.

A noite reconquista seu caminho
Na jaula de escuros horizontes,
Embriagada no seu próprio vinho:

Esse silêncio, essa rouca voz,
Estrangulando na minha garganta
O metal da palavra mais feroz.

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