sexta-feira, 15 de junho de 2007

Soneto II

Flutua em mim o verso adolescente,
Presságio do amor mal revelado,
Sangrando como um sol assassinado
Num desvão da memória, antigamente.

Ouve-se um sussurro intermitente,
Um canto de sereias, disfarçado
Em espuma e sal, gume afiado,
Ferindo-se a si mesmo, gume ardente.

Bem que o adolescente cultivava
Seu destino de fogo e sua lava,
Seus ferozes brinquedos de menino.

Bem lhe doía o coração, e ainda...
- ó gaveta de lâminas infindas -
Como se fosse o badalar de um sino.

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