A tua vida
Aberta em bandas
Como uma fruta
Partida ao meio,
Passada pelo
Fio de uma faca,
Ao meio-dia
De sol a pino,
Entregou-se
Nua e suada.
O sol em brasa
Do teu olhar
Preside a luz
Das tuas alfaias,
As horas rangem
As molas tremem
Como um relógio
Enferrujado.
O tempo salta,
O dia estala,
Como espoleta
Dentro da bala,
Não há saída,
Só há o murmúrio
Dos teus arroios,
Tão só o estigma
Da tua injúria,
Somente o grito
aflito
De quem, ferido
Dentro do peito,
Logo se cala.
Com os olhos duros
De lividez,
Indiferente
Ao que arrecadas
Em teus pomares
Imponderáveis,
Olhas o dia
Que se ilumina
Como uma lâmina
De lucidez
Intolerável.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
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