Punge-me a lembrança de líricos janeiros:
Os barcos de papel, apinhados de versos,
Lancei-os na enxurrada, a caminho do universo
D'Além Mar. Escrevendo, o tempo inteiro,
Descobri um tesouro na areia, meu gajeiro,
Minhas Índias secretas e oníricas, o berço
De sonâmbulas visões, avesso do perverso
Negro jardim de um mundo alvissareiro
De ervas daninhas. E a mão passarinheira
Assustava-se então como cavalo bravo
Ao descobrir, naquelas sílabas de vento,
Um revoar de asas e metáforas de Bandeira:
Pasárgadas e Perséfones. Tudo isto com um travo,
Ou melhor, um sabor de esperanças, violento.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
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