quinta-feira, 19 de julho de 2007

Soneto de outubro

Caminho no labirinto dos teus seios implumes,
Na erma noite em pânico dos amores impossíveis.
O gume em brasa de cimitarras e alfanjes
Acaricia a penugem do teu pescoço de cisne.

E o meu amor, sol de espantosas surpresas,
Cresce como o gemido de um clarim rumoroso,
Urdido na garganta dos pássaros insones,
A proclamar a palidez das últimas estrelas.

Alvorecem teus seios, e, felino intumescido.
De cios, toco-te de leve a pele insubmissa:
Reverbera o sol no poço das profundas

Águas marinhas das tuas pupilas verdes,
Onde, ao rebentar o dia, afogam-se para sempre,
Em rituais suicidas, os amantes inumeráveis.

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