terça-feira, 17 de julho de 2007

Soneto na cadeira de balanço

No calor do verão zunem cigarras
Monocórdias: uma nota só.
Não quiseram jamais elas senão
Cantar manhãs de luz, raios de sol.

Sentado na cadeira de balanço,
A cabeça pendida, o braço triste,
Reconcilio-me com velhos poetas
E com a poesia: a verdade maior.

Às cigarras dirijo um pensamento
De pequenas vitórias e grandes fiascos:
Impune não se chega aos cinqüent’anos.

Alterei o itinerário do menino.
Apostando o melhor do meu destino
Em tesouros de areia: perdi feio.

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