sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Abriu-se o muro

Abriu-se o muro em fendas femininas
Perante a incontinência das marés
E as férvidas espumas repentinas
Explodiram nas pedras, de viés.

Magníficas pedras em ruínas,
Agora o vento as empurra através
Do mar, quando sopra violento, ao rés
Da sinuosa praia das areias finas.

O muro derruído à beira-mar,
Fero monte de pedras, ao luar,
Oferece-se no leito da estrada.

O luar, arco em luz, fere a ruína,
Seu reflexo nas águas ilumina
A imagem das coisas desoladas.

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