Imolamos teus seios em agosto,
Quando as chuvas afogam os arrozais,
E devido a relampagos demais
Os frutos se abandonam com desgosto,
Ainda verdes e com o talo exposto
No regaço do fundos quintais
E as uvas, dormentes, nos vinhais,
Avinagram de vez, e sabem a mosto.
Decepamos depois a tua rosa,
A inexpugnavel, a misteriosa,
A extasiante visão de cem mil sóis,
Tua rosa vermelha como vinho
Derramado, na palidez do linho,
Do cálice tombado nos lençois,
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
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