A luz da madrugada fere o céu,
Quebra-se no cais,
Reflete-se nos edifícios
De mármore e vidro,
Esboça o dia loquaz.
- “A Tarde!”, o jornaleiro grita,
Enquanto homens atônitos
Esfregam nos olhos úmidos os fragmentos dos sonhos.
Automóveis burgueses perseguem, nas avenidas
Multiplicadas, a fileira de ônibus operários,
Enquanto a cortesã de lábios pressurosos,
Molhados ainda pelo grosso orvalho noturno,
Recolhe-se ao paraíso, enfim!, de uma cama limpa.
Um pássaro canta, de metal e quartzo,
Convoca-me à sedução do novo dia,
Que ressuscita, divino, entre latões de lixo.
Mastigo meu pão de raivas
E saio à rua, cheio de aspirações.
Junto ao ponto de táxi
A tabuleta vermelha
(Não pise na grama!)
Inicia o ritual diário das proibições.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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