sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Andei, atordoado,

Andei, atordoado, entre aparelhos
Eletrônicos, jeans: mercadorias.
De coração rangente, vagueei
Em nevoeiros pobres de arco-íris.

Respirei a não-flor que se elabora
Nas pupilas do tempo, aspirei
O perfume francês que não disfarça
O cheiro de suor das axilas.

Pensei vastos poemas fora de órbita
Que não se moldam em mim mas em searas
De vento minuano que se perdem
Em campos de sonhar.

Agora, nesse canto do Café,
Protejo a solidão, entre vidraças,
Personagem de Hopper,
Enquanto a multidão, lá fora, passa.

E nas águas ásperas da noite,
Ilumina-se o Café, como um aquário,
Onde, notívago, bebo lentamente
O vinho do esquecimento,
Enquanto sonho, de olhos abertos,
Como um peixe solitário.

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