Era um soneto cheio de emendas,
As emendas, maiores que o soneto,
Um soneto, não há quem o compreenda,
Em busca de si mesmo, insatisfeito
De suas formas atuais, seu jeito
De estar num mundo sem nenhuma lenda,
Um mundo extraviado e sem respeito
Pelo modo sutil com que se renda
Preito a flores e a coisas mais efêmeras,
Uma coisa qualquer, sem artifício,
O testemunho com que se venera
O sonho que sonho se perdeu,
A beleza do vôo e o precipício
Inventados pelo pássaro no céu.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
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