Cacaueiros de abril, descendo a encosta,
Ouvem vozes de chuvas perfumadas,
Veludíssimas folhas encharcadas
Da lágrima sutil que não se mostra,
Cântico das águas derramadas,
Beijo de amor, que a planta gosta,
Recebendo-o na face descarnada,
Para lhe dar, depois, franca resposta.
Cacaueiros, sob chuvas mais avulsas
E geladas, a molhar velhas janelas,
Onde o antigo menino se debruça
À noite, combatendo à luz de velas,
A escuridão da treva mais pressaga,
No sonho da manhã que não se apaga.
domingo, 19 de agosto de 2007
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