sábado, 25 de agosto de 2007

Coroa de Sonetos III

À procura de mim como num sonho
Ouço vozes de pássaros contentes,
Bem-te-vis bem me vêem, renitentes,
E sorriem: são pássaros risonhos.

Esqueci-me de tudo o que é tristonho,
Concentrei-me tão só no sorridente,
No que é novo em botão, como pão quente,
Estalando nos lábios onde o ponho.

A palavra no ar fala de cousas
Peremptas, perdidas, irrestrito
Sonho de luar, que não repousa.

E o grito da criança me revela
Onírico, o sabor (bastou-me um grito)
Do sonho que em si mesmo se enovela

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