sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A folhagem do fogo

A folhagem do fogo em que se expõe
O teu pálido corpo dessangrado
Cintilante de súbitas carícias
E silêncios de céus assassinados

Pelo vôo dos pássaros simbólicos
Que nasceram dos meus ramos e galhos
Como beijos nascidos nos meus lábios
E suicidas pousados nos teus olhos,

Essas águas de pura transparência
Onde o peixe mergulha o seu desejo
De ser o gume do punhal, aceso,

Eis a dádiva de sonho e adolescência
Que se oferece, toda vez que a vejo,
Aos meus olhos de súbitas carências.

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