sexta-feira, 24 de agosto de 2007

A melancolia dos meus olhos

A melancolia dos meus olhos
Cai sobre as tuas espáduas:
Nasce um silêncio real de manhã jovem
Sonhando estios.

Ante os horizontes das águas fervilhantes,
Azul intenso, marinho, índigo blue,
Cresce o cheiro no ar, de ervas tontas,
Aromas da tua pele.

Nesta faixa de areia onde se alastra o mar,
As espumas fervem,
Ao árdego contato
Do corpo que adolesce, glorioso e nu.

O teu rosto rubro,
Despido até dos últimos ornatos,
Na moldura da negra cabeleira
Desatada sobre a luz pueril dos ombros.

A tua luz de apenas dezessete anos,
A refletir-se, metálica,
Nos teus dentes brancos,
Na franqueza dos olhos,
Na surpresa dos flancos esculpidos
Em carícia e carne:

A leveza dos lábios,
A solidez dos rins,
A pele a sorver pelos poros a seiva do verão.

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