sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Na remota manhã

Na remota manhã cantavam pássaros,
Celebrando a proeza de viver.
Eram sabiás pousados em galhos de ingazeira,
E curiós equilibrando-se nas hastes flexíveis de capim.

Escutava-se o aboio dos tropeiros,
Enquanto passava a tropa, gemendo sob o peso das colheitas.
Cada besta levava três sacos de cacau bem seco,
Destinados ao armazém.

Depois, no porto de Ilhéus,
Entre estivadores e gaivotas,
Os guindastes exibiam
Seus ardores sexuais:

Erguiam no ar os sacos de cacau,
Como troféus,
Depositavam-nos nos lastros dos cargueiros
Que partiam para as Europas infiéis.

E lá se iam as safras, levadas para o Estrangeiro.

De todo o cacau colhido só restava o cheiro áspero
Que impregnava os depósitos das firmas de exportação.

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