Na tarde solitária o pescador
Preparou-se em silêncio, pressentiu
O peixe debatendo-se nas malhas,
Náufrago na espuma de algum sonho.
A lua cheia, que define as safras,
A colheita dos frutos, as searas,
Ante o brilho das cúmplices estrelas,
Era símbolo de farta pescaria.
Na clara noite agora o pescador,
Após a solidão de navegar
Águas ásperas, atinge, no alto mar,
Sua rede, pejada de pescado,
Mas ao puxá-la percebe que o luar
Acende os olhos vítreos do afogado.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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