Estás velho, meu caro, sinto pena
Do teu rosto no fundo deste espelho,
Onde Narciso, o afogado, acena
E te espia com seus olhos vermelhos.
Às vezes parece-me que o menino
Emerge como náufrago na espuma,
Agitando no ar as mãos, em suma,
Tentando se agarrar ao seu destino.
Mas sabes ser inútil (sentes medo)
Salvar o que se afoga nessas águas,
Pois tais águas se chocam no rochedo
Do espelho maldito onde arrebentas,
Estilhaças com um tiro nas tormentas
Desse mar onde moram tuas mágoas.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
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