sexta-feira, 24 de agosto de 2007

No céu de abril

No céu de abril, o mês cruel, as nuvens são ovelhas
Que no pasto azul do dia, de cores, se apascentam,
E deixam-se depois levar à longe luz vermelha
Dos crepúsculos em flor das longas tardes lentas.

Caem podres as tardes, como torres, abolidas,
De príncipes no exílio de não saberem amar,
E as nuvens dispersam-se quando o vento do alto mar
Desampara, pérfido, o rebanho de ovelhas perdidas.

Pastor de ovelhas vivas em campos de sonhar,
No coração das tarde, quase como quem tange
Um rebanho de nuvens de balidos inaudíveis

Ao silêncio maior que nunca me constrange
Nem me atormenta jamais, o meu lúcido olhar
Vai devassando os longes, em todos os seus níveis.

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