No flanco do tempo, dulcíssima bruma,
Grão de areia fina, o dia desmaia,
Pássaro ferido pelo leve raio
Caindo no abismo de brancas espumas.
Barco de papel em mar de tormentas
A chuva dissolve meu velho trabalho
E na chuva das horas em que me amortalho
Espero a manhã renascer desatenta.
Às vezes, a vida tem sabor antigo,
Como fosse côdea de pão amanhecido:
Invernos, verões, novembros e maios.
Tenho fome dos gomos dessa doce fruta
Do mel que escorresse como luz enxuta,
Dos olhos acesos para a flor dos lábios.
domingo, 19 de agosto de 2007
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