sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Nunca mais

Nunca mais as ninfas
Nas águas lustrais
-Eram três irmãs,
Rijas de desejos
E ardentes delírios,
Pródigas de beijos,
Sonhando rapazes,
Vizinhos e primos.

Banhavam seus corpos
Jovens e nus,
(Seios que adolescem,
Lábios que se abrem,
Úmidos cabelos
Sólidas ilhargas),
Junto a lírio e junco
Entre Erva e jasmim.

Era o tempo de enterrar espadas.

Onde agora os frutos
Maduros, pensos
Na virgem memória
Das chuvas de inverno?
Onde o tempo de amar?
Suspenso (entre
Parênteses),
Nas manhãs da véspera?

O tempo agora é o das amêndoas amargas.

Sorvido o cálice
Até a ultima gota rasa,
Soletrada
A áspera
Lição de casa,
Resta decifrar,
Entre os alvos
Lençóis de linho
Cheirando a éter,
O silvo do vento,
O enigma da noite,
O convite do mar.

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