O vento do alto mar,
Tempestuoso de areias,
Agita nas frias alturas
Nuvens pesadas e feias,
Apaga a marca dos pés
Que ali deixaram as sereias,
Atira ao ar as areias,
Suja a face dos céus.
As portas batem com raiva,
Todas as grades se fecham,
Gane um cachorro na chuva,
Quer entrar, mas não o deixam.
Rolam pelas ruas tortas
Os chapéus dos aposentados
Que voltam à casa molhados
E aflitos na hora morta.
As ruas estão vazias
E úmidas. Os coqueiros
Fustigados pela ventania
Vergam-se por inteiro.
Que desolação! Não vês
Uma única mulher,
Uma prostituta sequer
À espera de um freguês.
Só resta dormir então
Enquanto as águas, sem medo,
Gemendo de solidão,
Se arrebentam nos rochedos.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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