Estamos mortos, sem escapatória,
Mergulhados, sulfúricos, no ácido,
Procurando, fantasmas sem memória,
O resgate do tempo vivo e plácido.
Arquipélagos de pélagos gelados,
Somos sofreguidão e vil matéria
À espera de espíritos alados
Que a tornem mais leve e mais aérea.
Se o punhal dessa esfera tanto fere,
A noite desce em nós, pássaro cego
Sem Estrela Vésper a iluminar-lhe a sorte.
É o grão na ampulheta, o pó que adere
À nossa pele, implacável, e nos persegue:
Conteúdo final da nossa morte.
domingo, 12 de agosto de 2007
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