Os teus lábios têm gosto de primícias,
Anúncio de colheita que se entrega
No galho, quando aves, sem preguiça,
Lançam-se ao céu antes da hora cega.
Eis o vôo sobre as areias movediças
Da carnívora flor que tu aconchegas
No jardim, junto ao monte, de delícias,
Oculto sob o tufo de ervas negras.
Na linha desse vôo, salta o muro
Da lúcida manhã, o claro olhar,
E, pássaro lançado no futuro,
Vê, nos frutos colhidos no pomar,
Que os teus lábios são pêssegos maduros
A serem degustados devagar.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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